Da China ao Cordel

A arte em preto e branco mais conhecida no mundo!

A história da xilogravura tem seus primeiros registros no século V, na China. Depois, a técnica se expandiu para o Japão. No início era usada para imprimir textos, como as escrituras budistas.

Na Europa, sua história se confunde com a da comercialização do papel, no século XIV, primeiramente, na Alemanha e França.

Sansão Dilacerando o Leão, Albrecht Dürer, 1471–1528. Met Museum

Assim, as xilogravuras funcionavam como uma forma popular de ilustração. Dessa maneira, muitos artistas a usavam para produzir paisagens, cenas da Bíblia e de obras famosas. Logo, o método se transformou numa forma de tornar as peças de arte mais acessíveis.

Antes de tudo, foi por meio da gravura que chegamos às tecnologias contemporâneas mais rápidas de impressão.  Com o desenvolvimento de métodos mais sofisticados, a arte da xilogravura entrou em declínio. Enfim, muitos artistas preferiam usar placas de metal, para imprimir, ao invés da madeira. Mas, a técnica não desapareceu, muitos a utilizavam para reproduzir cartazes e folhetos.

Ator Ichikawa Ebiz?, xilo japonesa de Sharaku, 1794.

Em 1700 no Japão, foram usadas em imagens refinadas, em um estilo de arte conhecido como ukiyo-e. Assim, cenas do cotidiano, e paisagens eram registradas. No século XX, a técnica foi revivida por mestres japoneses.

O Universo é Criado, Paul Gauguin, 1893–1894. Met Museum

Portanto, o tempo e a história, mostram adeptos pelo mundo todo, em épocas distintas. Na Europa, a técnica ressurgiu no fim do século XIX, quando Paul Gauguin e Edvard Munch, que a usavam para inovar  suas obras de arte.

Técnica de gravura 

Na Xilogravura é usada madeira como matriz, e a reprodução da imagem é gravada sobre o papel ou outro suporte.

A princípio, a técnica também foi usada na propagação da Literatura de Cordel.

Chegou ao Brasil, com a vinda da Família Real para o Rio de Janeiro, em 1808. Assim, os trabalhos dos xilogravadores da época, se concentravam na produção de ilustrações para anúncios, livros e, até mesmo, cartas de baralho.

Durante muito tempo, usada na confecção dos primeiros rótulos de cachaça, sabonetes e doces. Em contrapartida, os primeiros poetas populares, que narravam as sagas da literatura de cordel, começaram a surgir a partir de 1750. Principalmente, recitavam suas histórias nas feiras ou praças, às vezes, acompanhadas por música de viola. 

O cordel

Capa do famoso cordel de Leandro Gomes de Barros, Batalha de Oliveiros com Ferrabraz, edição de 1913

Assim, o primeiro folheto de xilogravura de cordel, que se tem notícia, foi produzido por Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Com muita criatividade e originalidade. Logo, o método ficou conhecido e famoso, muito usado até hoje no Nordeste, um marco cultural do nosso país. 

Sua produção era simples, e seu custo bastante baixo. Dessa forma, foi fundamental para sustentar a tradição, mantendo fortes as raízes das histórias e das pessoas que as contavam.

A literatura de cordel não está atrelada a um gênero literário único. Essa expressão, na verdade, ficou assim conhecida pela forma como as obras eram expostas ao público. Porque os livros ficavam pendurados em cordas, barbantes ou cordões, como roupas em um varal.

Com uma tradição que marca mais de 100 anos, a literatura de cordel em xilogravura foi reconhecida, como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, pelo Iphan.

A xilogravura possui traços únicos e cada obra produzida com a técnica é um convite a beleza em forma de arte.

Mas qual a técnica da Xilogravura?

Então, pode-se dizer que é um processo de criação de imagens reproduzíveis, tendo como matriz a madeira. Através de incisões feitas com instrumentos chamados goivas, são esculpidas em relevo as linhas e formas, que expressarão a imagem. Assim, tudo o que for retirado da superfície, traduz as áreas brancas. E tudo o que ficar será visto em preto.

Ao final da gravação, é aplicada a tinta gráfica sobre a matriz, com o auxílio de um rolo emborrachado.

O próximo passo é passar a imagem talhada, para uma folha de papel, usando o processo manual ou mecânico.

Impressão

Assim, no manual sobre a matriz entintada se coloca uma folha de papel, pressionando suavemente toda a extensão de sua superfície, com uma espátula de madeira. Para que o papel absorva a tinta e retenha a imagem que foi gravada.

Já no mecanizado, sobre a matriz entintada se coloca uma folha de papel grosso, bem resistente. O conjunto vai para uma prensa mecânica, e se aplica pressão suficiente para que a imagem gravada fique impressa sobre este papel.

Em ambos os processos a imagem será invertida. A partir de uma matriz, são tiradas várias cópias da imagem gravada que, numeradas e assinadas, são consideradas como originais do artista.

Enfim, explore todos os efeitos que a madeira e materiais alternativos, podem imprimir na sua obra, e se surpreenda com os resultados! No curso online Xilogravura, com o professor Célio Rosa você vai aprender:

  • Xilogravura como arte
  • Literatura de cordel
  • Etapas do processo
  • Tipos de impressão: artesanal, cilíndrica e mecânica
  • Tipos de matrizes
  • Tipos de superfícies
  • Criação do desenho e identidade
  • Isogravura – primeiro contato
  • Palavra e logo espelhados
  • Criação da paisagem
  • Entalhe
  • Transferência de tinta para a matriz
  • Definição da tiragem e identificação na obra
  • Secagem e seleção
  • Cuidados necessários com a secagem da obra
  • Tempo de espera para o manuseio do trabalho
  • Limpeza da matriz e ferramentas

E ainda, descubra os tipos de cortes, domine as ferramentas, e como aplicar mais de uma cor na sua gravura.

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